Em casa, no meio da confusão, entre palavras duras e maldosamente utilizadas, ou mesmo quando o clima é outro, de bonança e suavidade... entre carinhos e palavras doces, o que praticamos?
Na sala de aula, quando o professor transmite, pelo seu ponto de vista, o conhecimento científico acumulado em anos de estudo e exercício da profissão, para os alunos que buscam esse conhecimento com um objetivo específico e pessoal, o que está em exercício?
No trânsito, entre carros, caminhões, motos e pedestres, no engarrafamento ou simplesmente no fluir de um dia calmo e tranqüilo, sem muita confusão, sem muito estresse... o que estamos desenvolvendo?
Na dança de uma bailarina. Na imagem de um fotógrafo. Na música de um músico. Na arte de um artista... o que observamos? O que captamos?
Na busca por respostas, por motivos de esperança, por novidades, por satisfação de nossos porquês, por crenças superiores, por fé e coragem, o que realizamos?
Relacionamentos. Contatos. Interação. Oração. Basicamente, o caminhar da humanidade depende disso: Comunicação.
Então, porque ainda temos tanta dificuldade em nos comunicar da maneira correta?
Seria tão lógico que, com a idade e a experiência adquiridas ao longo da vida de cada indivíduo, passássemos a nos comunicar excelentemente, sem dúvidas, equívocos, dubiedade, ou falhas.
No entanto, o que se observa é que aumentam, cada vez mais, os problemas de comunicação em relacionamentos profissionais, pessoais e interpessoais. São chefias e funcionários que não se acertam, equipes que estão sempre em “pé-de-guerra” internamente, casais que convivem por anos e não se entendem, partidos desfeitos, religiões dividas e subdivididas em “itens de padronização”, pais e filhos com conflitos de interesses... países em “harmonia na desarmonia”... tudo de pernas pro ar!
A resposta à pergunta elaborada é, na verdade, mais simples do que supomos. E se baseia num pilar central de nossa humanidade de difícil aceitação para alguns... nascemos egoístas.
Ainda somos humanos. Ainda temos no outro o reflexo do próprio eu. Ainda achamos que entendemos a cabeça do outro (nosso próximo), à luz do que conhecemos e compreendemos de nós mesmos. Mas realmente nos conhecemos? Conhecemos verdadeiramente ao nosso próximo e aos seus anseios, desejos e aspirações pessoais? Essa última é até mais fácil de confrontar: nós nos mostramos como somos verdadeiramente de modo que o nosso próximo saiba como nos portaríamos diante de determinada atitude??
Pensar só no outro, ou só em nós mesmos é parcial demais para funcionar bem. Um bom emissor está atento ao seu receptor e às suas peculiaridades. Um bom receptor dispõe-se a receber atentamente e compreender o que o emissor transmite, sempre de maneira a facilitar o diálogo que se segue.
O de dentro pra fora existe e funciona quando o de fora é entendido pelo de dentro.
Que bom seria se mais pessoas pensassem nisso. Compartilhassem desse ideal de tentar compreender a si mesmo e aos outros de maneiras complementares... e necessárias para o andamento da engrenagem.
Se o emissor e o receptor estão ligados e imersos num mesmo ambiente, tranqüilo, harmônico e sem ruídos, a comunicação flui melhor. Pessoalmente, encaro essa equalização como uma esperança.
Essa equalização seria muito salutar e contribuiria mui significativamente para a evolução saudável dos relacionamentos, que hoje estão sendo desfeitos (ou abandonados) por motivos pequenos e insignificantes. O “x” da questão está em quem será o agente iniciante e catalizador da equalização. Mas é sempre bom lembrar que isso é algo para partir do eu.
Oxalá, Deus nos ouça e nos abençoe para que cheguemos, individualmente e depois coletivamente, perto da santa perfeição!
Em casa, na família, no trabalho, na rua, com os amigos... e em tantos outros lugares.